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Usinas Flutuantes: impactos econômicos, sociais e ambientais na matriz

Condições geográficas favoráveis e uma matriz elétrica baseada em hidroelétricas, dois fatores que colocam o Brasil como um grande mercado para as usinas flutuantes.

Imagem: LONGi floating PV cluster in Southeast Asia

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O Brasil está pronto para esse modelo?

Condições geográficas favoráveis e uma matriz elétrica baseada em hidroelétricas, dois fatores que colocam o Brasil como um grande mercado para as usinas flutuantes. Apesar disso é um mercado que ainda não se tornou uma realidade. Em outros pontos do mundo, os projetos flutuantes vêm atraindo investimentos e entrando em operação com potências cada vez maiores.

No Vietnã, país do sudoeste asiático, foi instalada uma das maiores plantas fotovoltaicas flutuantes do mundo. Em Dezembro de 2020 as duas plantas de 35MW foram comissionadas totalizando uma capacidade combinada de 70MW.

Segundo a LONGi Solar, empresa que forneceu os módulos, em um projeto como esse foram instalados mais de 74.400 módulos monocristalinos.

Segundo especialistas da LONGi, assim como o sudeste asiático, o Brasil apresenta condições muito favoráveis e já mostra indícios dos primeiros projetos bem-sucedidos como a primeira usina inaugurada em 2019 em Sobradinho mas ainda demandam muito investimento principalmente em Pesquisa e Desenvolvimento.

Projeto Veredas Sol & Lares – Os benefícios e os novos projetos no Brasil

Além dos benefícios para a matriz energética o modelo de usinas flutuantes especialmente quando são realizados em área alagadas para a geração de usinas hidroelétricas, trás uma série de benefícios para o projeto e para o ecossistema social.

O Projeto Veredas Sol & Lares é um exemplo da evolução do modelo no Brasil. O projeto surgiu a partir do edital Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico (P&D) da CEMIG. Denominado de Projeto Veredas Sol e Lares, trata-se de um projeto inovador, que prevê, através da participação social, a criação de uma Usina Fotovoltaica Flutuante (UFVf) de 1,2 MWp, a ser instalada no lago da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Santa Marta, localizada em Grão Mogol/MG. E, através de dados levantados em uma pesquisa social, propor um plano de desenvolvimento para o Vale do Jequitinhonha e Pardo. O projeto alcançará 21 municípios da região, atendendo diretamente cerca de 4200 pessoas.

Segundo uma das empresas que irá executar a instalação no projeto, a MIL Engenharia, os benefícios para o mercado são imensos. Começando pela oportunidade de realizar testes com diferentes tipos de módulos, segundo otimizar os custos de instalação das estruturas flutuantes.

Ainda segundo a MIL engenharia, os benefícios começam pela eficiência dos módulos, que podem ser entre 12% e 14% maior, pois trabalham em uma operação mais fria proporcionada pelo modelo. Além disso as usinas demandam menos limpeza e quando feita, dispensam o uso de caminhões pipa, captação de água e limpeza da superfície instalada.

Ao total serão instalados mais de 3.050 módulos solares fotovoltaicos, de quatro tecnologias diferentes (monocristalino, dual glass, filme fino CdTe e filme fino CIGS), sobre um arranjo de mais de 7.600 flutuadores, destacando-se aqui que serão 04 tecnologias distintas de módulos fotovoltaicos, 14 inversores e mais de 60.000 metros de cabos solares além de um software desenvolvido para a usina flutuante, que auxiliará na gestão da operação e manutenção (O&M) da usina.

Segundo a empresa LONGi Solar, que forneceu mais de 2900 painéis monocristalinos para o projeto, muitos projetos estão sendo instalados com os módulos da empresa em usinas flutuantes por todo o mundo, mas o que chama a atenção para o mercado brasileiro é o impacto social e ambiental que o modelo pode causar na matriz energética. O Incentivo de programas de P&D pode viabilizar o modelo e corrigir impactos negativos que o modelo hidroelétrico pode deixar. Primeiro por ser uma fonte com menor dependência do volume dos reservatórios e além disso pode trazer uma forte melhoria econômica para regiões e povoados alagados. A LONGi Solar destina grande parte de seus investimentos em P&D para novas tecnologias como as usinas flutuantes.

Apoio de associações locais – AEDAS

Um dos destaques positivos desse projeto é o trabalho realizado pela AEDAS. A Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (AEDAS) foi criada no ano 2000 pelos moradores da comunidade de Casa Nova no município de Guaraciaba (rio Piranga, afluente do rio Doce), impactados pelo Projeto Hidrelétrico de Pilar, tendo como principal objetivo defender os direitos da comunidade local.

Atualmente a AEDAS auxilia mais de 300 mil famílias impactadas por barragens em Minas Gerais, atendendo agricultores, povos indígenas, ribeirinhos, pescadores, garimpeiros, remanescentes de quilombos e populações urbanas.

Diante do trabalho exitoso da AEDAS no estado de Minas Gerais, este ano a entidade foi condecorada com o título de “Utilidade Pública de Minas Gerais” pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

O projeto Veredas Sol e Lares  é coordenado pela AEDAS, sendo a AXXION, EFFICIENTIA e a PUC/MG as entidades executoras. Em sua execução tem como parceiros o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) através do Grupo de Pesquisa Observatório dos Vales, Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG-campus Araçuaí) e diversas escolas famílias agrícolas distribuídas no território.

Para a associação os principais benefícios desse projeto são, em primeiro lugar o caráter social fortemente pautado na Educação Popular além da reparação dos impactados causados pela áreas alagadas na população das cidades. Outro ponto importante é disponibilização da energia gerada pela usina para a comunidade e também está em conformidade com as metas de desenvolvimento sustentável da ONU com o acesso à energia limpa e sustentável, redução das desigualdades e tornar as cidades e comunidades sustentáveis

Conheça mais sobre a AEDAS no site http://solelares.com.br/

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